TRAUMA BRASIL 2021 XIV Congresso da SBAIT, XXIII CoLT Congresso das Ligas de Trauma

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Dados do Trabalho


Título

REPOSIÇÃO VOLÊMICA AGRESSIVA E PROBABILIDADE DE ÓBITO EM VÍTIMAS DE TRAUMA GRAVE

Objetivo

Avaliar os protocolos de reposição volêmica no atendimento das vítimas de trauma atendidos em um hospital terciário de referência

Método

Estudo transversal e observacional, com dados da emergência de um hospital terciário da cidade de Sorocaba. Avaliamos o volume de cristalóides infundido pelo APH no atendimento das vítimas de trauma grave. Calculamos o Revised Trauma Score (RTS), o Injury Severity Score (ISS) e o Trauma and Injury Severity Score (TRISS) para estimar a gravidade e probabilidade de sobrevida e a presença ou ausência de coagulopatia e/ou acidose metabólica na sala de emergência. Utilizamos o BE – Base Excess, Lactato Sérico e INR – International Normalized Ratio. Os pacientes foram divididos em 2 grupos: os que receberam até 1L de volume e os que receberam mais de 1L. Os resultados foram confrontados com as complicações e desfechos de cada caso. Aplicamos o Teste Exato de Fisher com p< 0,05 para avaliar a significância dos resultados

Resultados

Dos 65 pacientes do estudo 35,3% foram a óbito. Dos 25 pacientes que receberam volume menor ou igual a 1L somente 1 foi a óbito, totalizando 4% de mortalidade. Dos 40 que receberam volume maior que 1L, 21 foram a óbito, totalizando 55% mortalidade. A média do ISS dos pacientes com volume maior que 1L foi de 34,85%, do RTS foi de 6,1% e do TRISS de 64,15%. Nos que receberam volume menor ou igual a 1L o ISS médio foi de 23,04%, o RTS foi de 6,1% e o TRISS 88,28%. Dos 65 pacientes, 57 (87.6%) foram considerados graves. Tinham resultados de BE alterados 23 (74,1%) dos que receberam mais de 1L de volume e 7 (46,6%), dos que receberam volume menor ou igual a 1L (p=0.0999). Tinham resultados de Lactato alterados 19 (61,2%) dos que receberam mais de 1L de volume e 5 (25,0%) dos que receberam volume menor ou igual a 1L (p=0.0305). Tinham resultados de INR alterados 19 (55,8%) dos que receberam mais de 1L de volume e 3 (17,6%) dos que receberam volume menor ou igual a 1L (p=0.0155). Dos que receberam mais de 1L de volume com exames alterados, 48% receberam alta e 52% foram a óbito e os que não tinham exames alterados 100% receberam alta. Dos que receberam volume menor ou igual a 1L de volume 100% receberam alta, com ou sem exames alterados. Todos os que foram a óbito receberam volume maior que 1L de cristalóides e apresentaram alterações nos exames laboratoriais. Dos que receberam mais de 1L de cristalóides e evoluiram para óbito 6 tinham TRISS >50%

Conclusões

Os pacientes submetidos a reposição volêmica agressiva apresentaram exames laboratoriais alterados em numero significativamente maior que o grupo submetido a reposição volêmica controlada, sugerindo que a reposição volêmica agressiva pode ter contribuído na indução da coagulopatia e acidose metabólica encontradas. Nossos resultados sugerem que reposição com mais de 1L de cristalóides piora o desfecho nos pacientes com trauma grave. Conscientizar os profissionais envolvidos sobre os malefícios da reposição volêmica agressiva é essencial para mudar o prognóstico dessas vítimas

Palavras Chave

Trauma, APH, Reposição Volêmica

Área

TRATAMENTO NO TRAUMA

Instituições

Faculdade de Ciências Médicas - PUCSP - São Paulo - Brasil

Autores

FERNANDA SONEGHET GOMES, MARIANA MARIA DE FREITAS SILVA, THALES AUGUSTO SOUZA CARVALHO, ROSANA MARIA PAIVA ANJOS, JOSÉ MAURO SILVA RODRIGUES