TRAUMA BRASIL 2021 XIV Congresso da SBAIT, XXIII CoLT Congresso das Ligas de Trauma

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Dados do Trabalho


Título

TRAUMA DE VEIA CAVA RETRO-HEPATICA

Introdução

A lesão hepática contusa se apresenta como uma afecção recorrente nos grandes centros de trauma, representando um importante desafio terapêutico. A presença de lesões de grandes vasos venosos, como a veia cava retro-hepática, aumenta exponencialmente a gravidade e complexidade no manejo desses pacientes. Diversas opções para o controle do sangramento e correção destas lesões são descritas na literatura, dentre elas, sobretudo diante de quadros de exaustão fisiológica e tríade mortal (hipotermina, coagulopatia e acidose), a filosofia do controle de danos destaca-se como uma importante estratégia.

Relato de Caso

R.P.M., masculino, 25 anos, usuário de crack, deu entrada no Hospital Municipal Lourenço Jorge (HMLJ) com trauma abdominal contuso após queda de aproximadamente 4 metros de altura. Ao exame físico, apresentava-se hipocorado 2+/4+, hipotenso, taquicárdico, sudoreico, com enchimento capilar lentificado, abdome doloroso à palpação superficial e profunda com sinais de irritação peritoneal, além de tatuagem traumática em quadrante superior direito. Devido a instabilidade hemodinâmica associada ao exame físico, o paciente foi prontamente direcionado ao centro cirúrgico para laparotomia exploradora após administração de ácido tranexâmico na unidade de trauma. No transoperatório recebeu hemocomponentes e foi identificada laceração hepática grave com sangramento vultuoso, sendo submetido ao controle de danos com tamponamento por compressas intra-abdominais para controle do sangramento, seguido de peritoneostomia. Posteriormente foi direcionado a Unidade de Terapia Intensiva com vigilância intensiva do cirurgião, gasometrias seriadas e transfusão qualitativa. Após 36h de estabilização evoluiu com melhora do quadro hemodinâmico, sendo possível ser submetido a reconstrução definitiva, na qual, após instituição de técnicas para acesso aos vasos sangrantes, foi identificada lesão da veia cava retro-hepática e veia hepática média, além de lesão na confluência dos ductos hepáticos. Todas as lesões puderam ser corrigidas no intraoperatório, seguidas de fechamento da parede abdominal. Após sete dias, evoluiu com desmame de drogas vasoativas, extubação no 13° dia e fístula biliar de baixo débito com retirada do dreno após 17 dias. A alta hospitalar ocorreu no 19° dia de pós operatório.

Discussão

As lesões de veia cava retro-hepática se mostram desafiadoras até mesmo para os cirurgiões mais experientes. Medidas heroicas na fase aguda podem ser danosas (exsanguinação, exaustão fisiológica, iatrogenia, etc). O controle de danos é importante opção para pacientes limítrofes, permitindo melhores condições para a cirurgia definitiva.

Palavras Chave

Controle de danos; Veia cava; Cava retro-hepática; Trauma hepático; Trauma abdominal contuso

Área

TRATAMENTO NO TRAUMA

Instituições

Hospital Municipal Lourenço Jorge - Rio de Janeiro - Brasil

Autores

PRISCILA PAIVA SANTOS, RODRIGO ANDRADE VAZ DE MELO, LUANA GOUVEIA RIO ROCHA DO CARMO, BRUNO VAZ DE MELO, MARCIO BARROSO CAVALIÉRE, AUGUSTO CAMPEAO RODRIGUES, EMILI VICTORIA FERREIRA OLIVEIRA, CLAUDIA SOFIA PEREIRA GONÇALVES